segunda-feira, 5 de outubro de 2009

FELICIDADE

A doce tarde morre. E tão mansa ela esmorece
Tão lentamente no céu de prece,
Que assim parece toda repouso,
Como um suspiro de extinto gozo,
De uma profunda, longa esperança
Que, enfim cumprida, morre, descansa...

E enquanto a mansa tarde agoniza,
Por entre a névoa fria do mar
Toda a minh'alma foge na brisa:
Tenho vontade de me matar!

Oh! ter vontade de se matar...
Bem sei é coisa que não se diz.
Que mais a vida pode me dar?
Sou tão feliz.

                                     Manuel Bandeira.

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