domingo, 4 de outubro de 2009

MÃES MÁS.

Um dia, quando meus filhos forem crescidos o suficiente para entenderem o lógica que motiva os pais e as mães, eu hei de dizer-lhes:
Eu os amei o suficiente pata ter perguntado: onde vão, com quem vão e a que horas regressarão?
Eu os amei o suficiente para não ter ficado em silêncio e fazer com que vocês soubessem que aquele novo amigo não era boa companhia.
Eu os amei o suficiente para os fazer pagar as balas que tiraram da mercearia e os fazer dizer ao dono:- Nós roubamos isto ontem e queríamos pagar.
Eu os amei o suficiente para ter ficado em pé junto à vocês duas horas, enquanto limpavam o quarto;tarefa que eu teria realizado em quinze minutos.
Eu os amei o suficiente para os deixar ver, além do amor que eu tinha por vocês, o desapontamento e também as lágrimas em meus olhos.
Eu os amei o suficiente para deixá-los assumir a responsabilidade das suas ações, mesmo quando as penalidades eram tão duras que me partiam o coração.
Mais que tudo, eu os amei o suficiente para dizer-lhes não, quando eu sabia que vocês poderiam me odiar por isso.
Essas eram as mais difíceis batalhas de todas. Estou contente, venci...porque no final vocês venceram também!
E qualquer dia, quando meus netos forem crescidos o suficiente para entenderem a lógica que motiva os pais e as mães, meus filhos vão lhes dizer quando eles lhes perguntarem, se a sua mãe era má:
"Sim...Nossa mãe era má.
Era a mãe mais má do mundo."
As outras crianças comiam doces no café da manhã e nós tínhamos que comer cereais, ovos e torradas...
As outras crianças bebiam refrigerantes, comiam batatas fritas e sorvete no almoço, e nós tínhamos de comer arroz, feijão, carne, legumes e frutas.
Ela obrigava-nos a jantar à mesa, bem diferente das outras mães, que deixavam os filhos jantarem vendo televisão.
Ela insistia em saber onde nós estávamos a toda hora. Era quase uma prisão.
Mamãe tinha que saber quem eram os nossos amigos e o que nós fazíamos com eles. Insistia que lhe disséssemos que íamos sair, mesmo que demorássemos só uma hora ou menos.
Nós tínhamos vergonha de admitir , mas ela violou as leis de trabalho infantil. Nós tínhamos de lavar a louça, fazer as camas, aprender a cozinhar, esvaziar o lixo e todo tipo de trabalhos cruéis. Eu acho que ela nem dormia à noite, pensando em coisas para mandar-nos fazer.
Ela insistia sempre conosco para lhe dizermos sempre a verdade. E quando éramos adolescentes ela até conseguia ler nossos pensamentos. A nossa vida era mesmo chata.
Ela não deixava que nossos amigos ficassem a buzinar para que saíssemos. Tínhamos de subir e bater à porta para que ela os conhecesse.
Enquanto todos podiam sair com onze ou doze anos, nós tivemos de esperar oa dezesseis anos. Por causa da nossa mãe, nós perdemos imensas experiências da adolescência. Nenhum de nós esteve com drogas, em roubos, atos de vandalismo, violação de propriedade, nem fomos presos por nenhum crime. Foi tudo por causa dela.
Agora que já saímos de casa , nós somos adultos, honestos e educados, estamos a fazer nosso melhor para sermos "pais maus" tal como nossa mãe foi."
Eu acho que este é o mal do mundo de hoje.
Não há suficientes mães mãs.


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